Abada-Capoeira DC

Brazilian Arts Center


 

  

Torpedeiro Encouraçado (DP)

 

Torpedeiro Piauí

Torpedeiro Piauí

Olha tá Encouraçado na Bahia

Marujo subordinado

Está pintando arrilhia

Mataram Chico Mineiro

Dentro da secretaria

Se eu fosse o comissário de plantão

Não havia tão grande covardia

Naqueles tempos passados

Caranguejo era delegado

Goiamum era o escrivão

Siri cabo de polícia

Da porta da detenção

Papagaio advogado

Por ser muito falastrão

Urubu por ser cangalha

Era soldado do esquadrão

Camarada...

Iê viva meu Deus

 

Iê viva meu Deus

 

Viva meu Mestre

 

Iê viva meu Mestre

 

Quem me ensinou

 

Quem me ensinou

 

A malandragem

 

A malandragem

 

Volta do mundo

 

Volta do mundo

 

Que o mundo deu

 

Que o mundo deu

 

 

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Prepare o arame (Edson Show)

 
Entra na roda sinhô

Bota o tambor pra rufar

Bom dia pra vosmicê

Camungerê como tá

Oh Prepare o arame

Enverga a madeira de Jequitibá

Traz a moeda e a cabaça

O caxixi da feira

Que eu quero tocar

 

Meu berimbau ê ê

Meu berimbau camará

Ele é enfeitado

Com laços de fita

E as conchas do mar

 

Meu berimbau ê ê

Meu berimbau camará

Ele é enfeitado

Com laços de fita

E as conchas do mar

 

Eu enfrento sereno

Desfaço o veneno, venço a solidão

Rezo o São Bento Grande

São Bento Pequeno conforme a razão

Na roda o medo não fala

Moleque aprende a lição

Coragem nunca se cala

Vence quem tem coração

Com os pés na senzala

Negro se ajoelha fazendo oração

 

Vem menino vem

Descendo a ladeira

No cais dourado vai ter capoeira pra matar

Dança morena faceira

Vadeia na beira do mar

Negro velho de zonzeira

Vai dá gameleira

Chegou pra jogar

 

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Eu Grito Aiê (Feijão)

 
Aiê, aiê
Aiê o berimbau
Aiê

Ô aiê...

 

Aiê, aiê
Aiê o berimbau
Aiê
 

Havia dois reis
Um reinado e uma história
Um defende a Regional
E o outro defende a Angola

O aiê...

Rei Ganga-Zumba
Que foi sangue de Zumbi
E foi Zumbi
Que gritou a liberdade
Até o fim


Era princesa
Mas a corte não queria
Que Dona Isabel
Assinasse a carta de alforria
Mas ela assinou

Aiê se chama Terra
Terra que é da nossa gente
De um povo que sofreu
Mas arrebentou corrente

Eu grito aiê
 

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Histórias (Feijão)

 
Histórias de Bimba

Histórias de Seu Pastinha

Histórias de Carybé

Seu Waldemar da Paixão

Histórias...

 

Histórias de Bimba

Histórias deSeu Pastinha

Histórias de Carybé

Seu Waldemar da Paixão

 

A história de Bimba

A Regional ele criou

Diziam que ele falou

Que iria mudar a capoeira

Para hoje ela ter seu valor

Histórias...

 

Na história de Pastinha

Faz o capoeira chorar

De quem viu a arte crescer

Morreu sem poder enxergar

Histórias...

 

História de Heitor Bernabó

Conhecido como Carybé

Ele pintou um quadro pra Bimba

Lá na ilha de Maré

Histórias...

 

A história me conta

Que Seu Waldemar da Paixão

Levava na cantoria

As rodas no barracão

Histórias...

 

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Talismã (Feijão)

 
Meu talismã

Da vida inteira

É meu berimbau

E a capoeira

 

Meu talismã

Da vida inteira

É meu berimbau

E a capoeira

 

É meu berimbau

É a capoeira

 

É meu berimbau

É a capoeira

 

Meu talismã

Da vida inteira

É meu berimbau

E a capoeira

 

Meu talismã

Da vida inteira

É meu berimbau

E a capoeira

 

No escuro eu a levo

Como iluminação

E na mandinga que não se vê

Berimbau é meu lampião

 

No que Bimba acreditava

Como sua proteção

A capoeira

E o cinco Salomão

 

Amuleto ou patuá

Pedra da sorte não importa

Talismã é sua fé

Que move montanhas e abre portas

 

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Eu sou capoeira (Feijão)
 

Eu sou capoeira eê
Capoeira sei que sou
No corpo e na alma eê
Capoeira sei que sou

Oi eu sou...

 

Eu sou capoeira eê
Capoeira sei que sou
No corpo e na alma eê
Capoeira sei que sou
 

Ela é como mãe
Que abraça seu filho
Nas horas difíceis
Do seu lado está

É por isso que eu sou...

Quem joga com a alma
Na roda sente
Que a capoeira
É mais que um corpo valente

É por isso que eu sou...

Ela te ensina
A cair, levantar
Mas de peito aberto
Para sempre melhorar
É por isso que eu sou...

Ela é sentimento
Que traz poesia
Bem leve como vento
Que vira melodia

É por isso que eu sou...
 

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Toque de guerra (Feijão)


Me chama, me leva
Berimbau, e o toque de guerra
 

Me chama, me leva
Berimbau, e o toque de guerra
 

Era dia comum
O feitor lhe chamou
Para defender
As terras do senhor
Ô me chama me leva...


Lutou defendeu
Com fé e coragem
As terras de quem
Lhe tratou com maldade
Ô me chama me leva...


O negro do tronco
Ele foi libertado
Pras guerra de branco
Negro virou soldado
Ô me chama me leva...


Negro quis entender
O que esta acontecendo
Era guerra de branco
Mas tinha negro morrendo
Ô me chama me leva...


Nunca aconteceu
Na história do escravo
Aonde um feitor
Ao negro dava agrado
Ô me chama me leva...


Lágrimas
Molham a medalha
No peito do negro
Que venceu a batalha

Ô me chama me leva...

 

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Berimbau querer (Feijão)

 
Meu berimbau querer

Meu querer de jogar

Deixa eu desenvolver

Não deixa eu desanimar

 

Meu berimbau querer

Meu querer de jogar

Deixa eu desenvolver

Não deixa eu desanimar

 

Não vou parar na vida

Que me deu tanto desgosto

Hoje o gosto que eu sinto

Que eu não vou parar de novo

Berimbau...

 

Foi o meu berimbau

Que sempre esteve do meu lado

Quando estive perdido

Sofrendo e desamparado

Berimbau...

 

A vida ensina

O tempo trás o dom

Para ser bom capoeira

Tem que ser de coração

Berimbau...

 

Eu estava em casa

Quando olhei as estrelas

Peguei, olha, o meu berimbau

Voltei para capoeira

Berimbau...

 

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Rodas do barracão (Feijão)

 
Roda que tinha bamba

Roda no barracão

Saudade da liberdade

Seu Waldemar da Paixão

 

Roda que tinha bamba

Roda no barracão

Saudade da liberdade

Seu Waldemar da Paixão

 

Ficava no corta braço

Na estrada da liberdade

Era o domingo à tarde

Capoeira e vadiagem

 

Era um grande Mestre

Cantador e artesão

Pintava seu berimbau

Vendia no barracão

 

Lá em dia de festa

Em data de tradição

Waldemar com suas guias

Calça branca e pé no chão

 

(No barracão da liberdade

Traíra e Caiçara

Barnabé, Seu Bugário

Mungungê e sua navalha)

 

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Isso é capoeira (Feijão)


Ê capoeira eê
Capoeira eê
Capoeira eá

Isso é capoeira...
 

Ê capoeira eê
Capoeira eê
Capoeira eá
 

Camaleão muda de cor
Mas não perde a sua essência
Capoeira envelhece
E não perde a sua vivência

Isso é capoeira...
 

Quando o céu está escuro
Sabemos que vai chover
Berimbau quando arrebenta
Quem é de bem a de benzer
Isso é capoeira...
 

Pois o mundo é uma cela
Difícil de entender
Capoeira te liberta
Da prisão que não se vê
Isso é capoeira...
 

Mas um golpe com a língua

Ossos podem ate quebrar

Mas um jogo com mandinga

Faz a língua se enrolar

Isso é capoeira...

 

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Lá vai o negro (Feijão e Tipo A)

 
Lá vai o negro

No meio do canavial

Lá vai o negro

No meio do canavial

Lá vai...

 

Lá vai o negro

No meio do canavial

Lá vai o negro

No meio do canavial

 

Com o pé descalço

E o corpo todo cortado

Vai trabalhar

Para não ser açoitado

 

O berimbau

Negro trás no coração

Pra trabalhar

A sua foice na mão

 

De sol a sol

O negro tá trabalhando

Mesmo com chuva

Cana, ele tá cortando

 

Colheita boa

Negro pode festejar

Samba de roda

E também capoeira

Lá vai...

 

Ele festeja

O negro comemora

Mas é por dentro

De saudade que ele chora

 

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Tempos que não voltam mais (Feijão)


Adeus, adeus, ao tempo que não volta mais
Adeus, adeus, ao tempo que não volta mais
Ô adeus...

 

Adeus, adeus, ao tempo que não volta mais
Adeus, adeus, ao tempo que não volta mais
 

Lembra de primeira ginga
E o balanço do corpo
Lembra do primeiro conselho do Mestre
Do seu primeiro jogo
Ô adeus...


Me dá muita saudade
Quando eu lembro do passado
Lembra da primeira cantiga, iaiá
Do primeiro batizado
Ô adeus...


Vê se viva hoje
Porque amanhã não chegou
Aproveite a cada momento, iaiá
Porque o ontem já passou
Ô adeus...


Dê valor a que você tem
Para não se arrepender jamais
Para ser lembrado na capoeira, iaiá
Este tempo é você quem faz

Ô adeus...

 

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Canaviê (Feijão)

 
Canaviê, canaviê

Corta cana pro feitor

Canaviê...

 

Canaviê, canaviê

Corta cana pro feitor

 

No meio do canavial

Uma chance pra viver

Se morria por lutar

Então cortava pra não morrer

Canaviê...

 

Luta disfarçada de dança

Responde pro mal feitor

Com ponta-pés e cabeçadas

Negro diz não vou

Canaviê...

 

Com sangue nas mãos

Pro feitor uma surpresa

O que plantava era cana

E o que nascia é capoeira

Canaviê...

 

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Quando o berimbau tocar (Feijão)

 
Duas coisas nesse mundo

Meu corpo se arrepia

É ver Mestre empolgado

E uma boa cantoria

 

Vou ver corpo arrepiar

Quando o berimbau tocar

 

Vou ver corpo arrepiar

Quando o berimbau tocar

 

Se está treinado entra

Se não está é melhor olhar

Eu vou ver...

 

Quando o berimbau tocar

 

Faz rezar no berimbau

Para mandinga não pegar

Eu vou ver...

 

Se não canta vai jogar

Se não joga vem cantar

Eu vou ver...

 

Porque canta, o mal espanta

Diz ditado popular

Eu vou ver...

 

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Dendê Maré (Feijão)

 
Quando a maré tá baixa

Dá pro capoeira remar

Mas quando a maré tá alta

É ai que o barco não pode virar

Oi dendê maré...

 

Ê aê aê aê

Dendê Maré

 

Agüenta firme capoeira

Tem correnteza querendo te derrubar

Mas não consegue se tem sangue de Zumbi

E a força de Besouro Mangangá

Oi dendê maré...

 

A vida é como a capoeira

Quem ganha também pode perder

Mas são como os tombos da vida

É aí que vejo o homem crescer

 

O berimbau tem que ter um tocador

O tocador toca com seu coração

Levando para sua vida inteira

Mestre Bimba como sua inspiração

Oi dendê maré...

 

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Candeeiro (Edson Show)

 
Iaiá

Acende o candeeiro, iaiá

Só a luz ofuscante da candeia

E o clarão da lua cheia

É o que faz o terreiro clarear

 

Iaiá, ô iaiá

 

Acende o candeeiro, iaiá

Só a luz ofuscante da candeia

E o clarão da lua cheia

É que faz o terreiro clarear

 

Hoje tem festa,

No Quilombo dos Palmares

Já se ouve pelos ares

O som estridente do tambor

Ioiô, no rabo de arraia, certeiro

No jogo de Angola, rasteiro

Se dobra igual cobra coral

Com a ligeireza do raio

Destreza fundamental

Quem paga o pato

É o capitão do mato

Na luta do bem contra mal

Ô Iaiá...

 

Iaiá, ô iaiá

 

Oi balança na barra da saia

Levanta, sacode a poeira do chão

Oi abre a roda que agora o pau vai comer

No samba duro angolano

Na ginga do maculelê

Oi abre a roda que agora o pau vai comer

No samba duro angolano

Na ginga do maculelê

Oi quem tem sangue do quilombola não cai

Finge que vai, mas não vai

Risca seu nome no vento

Rei Ganga Zumba vem dar inicio ao festejo

Sua voz é um lampejo

Que comanda o ritual

O seu lamento

Era um grito de guerra

Que escoava sobre a terra

Tornando o quilombo imortal

Ô Iaiá...

 

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